Muito se fala, hoje em dia, da perda de Autonomia. Na educação, a Autonomia sucumbiu há muito, quando a opção foi a de aplicar e adaptar à Região soluções empregues a nível nacional, ainda por cima, depois de comprovadamente nefastas para a educação.
Temos tido na educação uma Autonomia suspensa e a reboque de soluções falhadas a nível nacional. Utilizam-se argumentos de intercomunicabilidade com o restante território nacional, para esconder hesitações e falta de opções. Nada mais falso. Olhemos para os Açores e descubram-se as diferenças. Mas existem ainda outras razões: querem cobardemente aplicar na Região medidas penalizadoras para os docentes, recambiando o ónus dessas mesmas medidas para o Governo da República. Uma inevitabilidade simulada para sacudir a água do capote. Vergonhoso!
Esses falsos argumentos voltaram a ser utilizados por esta "nova" equipa da Secretaria Regional de Educação, que pela boca do veterano Diretor Regional da Administração Educativa, afirmou numa comunicação aos diretores das escolas e à imprensa, relativa ao início das negociações para o novo modelo de avaliação de desempenho, que “não podemos criar um sistema fechado em si próprio”.
Quem está fechado sobre si é este governo, enjaulado na sua incompetência em resolver os problemas que criou. E continua a cometer erros. Prepara-se para negociar um modelo de avaliação, sem ter efetivado as alterações necessárias no Estatuto da Carreira Docente. Inicia a construção pelos anexos, em vez de começar pelo edifício principal.
besoirar
Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
PORQUE UMA FORMIGA EM MOVIMENTO FAZ MAIS QUE UM BOI A DORMIR
A Autonomia hoje leva mais um tombo. Um trambolhão dos grandes! Não pode haver soluções com aqueles que criaram os problemas. Só peço que se não sabem consertar, por favor, parem de partir. Não sei como será o futuro, mas sei que depende daquilo que fizermos hoje. Como "uma formiga em movimento faz mais do que um boi a dormir"(Lao Tzu), vamos reagir a este adormecimento coletivo que nos querem induzir. Há quem diga que é uma loucura reagir a este regime. Eu digo que é loucura não resistir a quem quer destruir tudo o que até aqui se conquistou. Temos a responsabilidade histórica de legar aos nossos filhos outra herança, diferente daquela que este poder nos quer deixar. As coisas grandes começam por pequenas coisas. Não percamos mais tempo.
O CHEQUE EM BRANCO PASSADO NAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES COMEÇA A SER COBRADO HOJE
Não basta o povo votar para se etiquetar este sistema de democrático. A maioria foi às urnas, nas últimas eleições regionais, sem a informação prévia e cabal, indispensável a uma reflexão e consequente exercício do direito de voto. Foram por isso uma fraude. Hoje, com as declarações do Presidente do Governo, comprova-se a farsa. Votos condicionados que serviram somente para endossar um cheque em branco ao poder dominante.
Necessitamos de uma regeneração política. A seguir dela virão naturalmente outras transformações que se impõem. O desprezo que temos assistido pela democracia é uma arma de dominação. O folhetim do acordo para o plano de assistência financeira é o exemplo mais recente. Temos a governar-nos um líder de um partido que no seu programa incluiu todo o tipo de promessas, que hoje, pelas suas declarações, não serão cumpridas. É mantida uma prática que não coincide com as palavras ditas em público. As medidas anunciadas, serão aplicadas por um governo eleito com um programa totalmente diferente daquele que irá pôr em prática. A justificação não poderá ficar-se pela simplicidade da resposta de que são medidas impostas. Quem as propôs foi o Governo Regional da Madeira, quem as vai assinar é só o seu Presidente, na sequência de de uma dívida acumulada e escondida, de sua inteira responsabilidade. Com a cumplicidade de muitos, é certo.
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
O COMEÇO DO FIM
Sinto as pessoas. Elas estão com medo. Com medo do presente e de todos os presentes. Com medo de tudo e de todos. Estão com medo da mudança. Vivem na incerteza e tem medo da certeza da mudança. Como se a mudança trouxesse um futuro mais incerto. Não faço ideia de como isto vai acabar. Só quero saber como vai começar. Todo o começo necessita de um fim. É por esse fim que anseio, porque representa um novo começo. A esperança. A esperança de um outro mundo, com outras personagens, outros destinos e outros limites. Um outro mundo é possível. A opção é de cada um de nós. Naquilo que somos, naquilo que fazemos. O destino é nosso.
VIVER DA ESMOLA NÃO É SOLUÇÃO
Não posso consentir que no meu país e na minha região se viva das esmolas. Não posso admitir que ao abrigo da crise se desresponsabilize o Estado e se invista na caridade. Não posso aceitar que para os problemas a solução seja o voluntariado e o assistencialismo.
Tenho todo o respeito e admiração pelas pessoas e instituições de caridade e de assistência social. Desempenham uma tarefa nobre e altruísta. Mas a caridade não pode substituir os direitos sociais, num Estado em modo de desmantelamento. O Estado tem a função social de criar condições para que as pessoas tenham uma vida condigna, nomeadamente que tenham trabalho. O desemprego não é uma inevitabilidade. A pobreza não é um mal necessário. Empobrecerem-nos com o argumento de que só assim sairemos da crise, é querer criar um modelo económico sem objectivos de desenvolvimento social.
É maquiavélico este plano de aumentar a pobreza e investir na caridade.Tempos difíceis estes que vivemos. Na Região já vamos com 19 000 desempregados e uma população que agora nem com bombeiros parece poder contar. Cobram-se dívidas e penhoram-se carros. Novidades que deixaram-no de ser numa Região onde se fala em não pagar salários à Função Pública; onde fecham dezenas de empresas mensalmente; onde as farmácias não comparticipam medicamentos; onde os utentes do Serviço Regional de Saúde não têm reembolsos de consultas e tratamentos; onde encontramos famílias desesperadas, atiradas para uma pobreza com que nunca sonharam; onde idosos não têm dinheiro para a farmácia; onde jovens não têm um horizonte de futuro; onde crianças passam fome; onde professores não têm escola; onde os assaltos são continuados e os suicídios cada vez mais frequentes.
Uma Região onde encontramos cada vez mais gente excluída de prestações como o abono de família, o apoio social escolar, o complemento social do idoso, o subsídio social de desemprego, o rendimento social de inserção, e que se prepara para ter taxas moderadoras, um aumento brutal dos combustíveis e nos transportes, bem como um corte de rendimentos devido ao aumento do IRS. Além do insuportável aumento do IVA, que elevará o custo de vida dos madeirenses para uma situação nunca vista, nem imaginada.
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
SIMPLIFICAR E ELIMINAR NA RECUPERAÇÃO DE PATRIMÓNIO
Engenho do Jardim do Mar
O Governo Regional quer implementar novas regras para recuperar os centros históricos. A finalidade é a de simplificar procedimentos e eliminar obstáculos. Nada a opor, desde que o simplificar e eliminar não signifique deitar abaixo tudo o que é património, para permitir que a ganância dos imobiliários e empreiteiros soterre a nossa história.
Os centros e núcleos históricos necessitam de ser preservados e reaproveitados em termos económicos, de modo que a sua recuperação permita que as pessoas regressem, habitem ou desenvolvam atividades comerciais. Mas há algo intocável: manter a identidade, a memória e a traça original.
LEMBRAM-SE DESTA RECUPERAÇÃO URBANÍSTICA?
Já fez oito anos. Na altura fiz várias críticas e sugestões relativas à construção da promenade da Madalena do Mar. Não era ser preciso ser bruxo, mas as minhas previsões vieram infelizmente a concretizar-se: uma obra mal planeada e enquadrada que corria o risco de no futuro, à semelhança de muitas outras obras na orla costeira, ficar ao abandono.
Tomara não tivesse tido razão. Ainda cheguei a ter um "bate-papo" com o antigo Presidente da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste, o Rosa Gomes, que posteriormente foi contratado pela AFA. De nada serviu, pois eu não passava de um pseudo-ambientalista e estava contra o desenvolvimento. Não falo dos erros do projecto porque estão à vista. Só quem não conhece a Ribeira da Madalena ou a instabilidade da encosta podia fazer uma obra daquelas. Mas o povo gostou e votou. Agora já nem passeia na recuperação que precisa de ser recuperada, mas vai continuar a pagá-la a preço de ouro.
OS MENSAGEIROS E O POVO
Cada um tem aquilo que merece. Este ditado popular parece encaixar no povo madeirense.
Já lá vão 35 anos com a mesma personagem e o mesmo partido a liderar a Região e chegamos a esta situação decadente, mas parece que gostamos do que temos: famílias desesperadas, atiradas para uma pobreza com que nunca sonharam; Idosos sem dinheiro para a farmácia; Jovens sem horizonte de futuro; Crianças com fome; Escolas sem tostão; Educação preocupante; Desemprego galopante; Empresas falidas; Assaltos continuados; Suicídios frequentes.
Mas a culpa é sempre dos outros, segundo os mensageiros do iluminado que nos governa, como é o caso do Director da Administração Pública e Local, que no dia da Freguesia de Santa Cruz, afirmou que esta é uma crise que "não é da responsabilidade da Região, mas sim de sucessivos governos da República que não só não tomaram as medidas adequadas para combater o défice e a dívida externa, como deixaram arrastar esta situação por demasiado tempo".
É claro que os Governos da República têm culpa no estado a que chegou o país, mas agora querer fazer crer que na Região são todos uns anjinhos e que não têm culpa da situação de bancarrota e de colapso social a que chegamos, é de subir paredes. Quem são os verdadeiros culpados? Quem deixou arrastar esta situação? Quem mentiu? Ainda por cima bate-se sempre na tecla da revisão constitucional, que não possibilitou as reformas necessárias e estruturais, blá, blá, blá... É preciso ter muita paciência!
Mas o povo tem motivos para se revoltar? Segundo o que afirmou, no DN de hoje, o Luís Calisto, "o povo só tem razões para se revoltar contra si próprio", pois tem responsabilidades pelo estado a que isto chegou. Concordo em absoluto. Mas mais: "desfez-se o mito de que o povo coitado, não sabe votar, que é ignorante e inculto. O povo é muito esperto, isso sim. OPORTUNISTA. Deixou correr o marfim pelo interesse próprio, pelo subsidiozito". Então que se revolte o povo contra si, já que que vão acabar os subsídios, as obras e os favores. Que faça mea culpa e comece essa revolta interior pela Quinta Vigia.
Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
ABRIR OS OLHOS
Sejamos claros: a situação de calamidade e colapso da Madeira tem responsáveis. Não vale a pena pôr paninhos quentes sobre birras e outras intenções de Passos Coelho. São reais mas secundárias. Quem é que nos governou nos últimos 35 anos? Quem é que nos endividou? Quem é que escondeu dívida? Quem é que deu prioridade à obras públicas? Quem é que perdeu toda a credibilidade? Quem é que perdeu toda a capacidade negocial?
Foi tudo mal feito?
Não! Mas cometeram-se erros gravíssimos que põem em causa a nossa Autonomia, o nosso futuro e a sobrevivência da maioria da população.
Estará Alberto João Jardim só na assunção de responsabilidades?
Não! Tem com ele muitos dos que beneficiaram com esta governação de esbanjamentos e clientelismos, mas essencialmente a maioria da população que nele votou. Silêncios que escondem culpados, cumplicidades por detrás de um voto, favores camuflados pela passividade, rostos ausentes de uma contestação. Serão estes que terão de abrir os olhos e fazer a (r)evolução.
Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
GOVERNOS JOANINOS: ENTRE D.JOÃO V E ALBERTO JOÃO
Têm a particularidade de darem pelo nome de João. Ambos pertenceram a um "Antigo Regime". Ambos governaram num sistema em que acharam que o seu poder estava acima de tudo e de todos, sem controlo nem limites. Ambos entenderam o exercício do poder de uma forma paternalista, pretendendo merecer o amor dos súbditos, através da sua ação governativa, em que aquilo que dão ou constroem não é realizado de uma forma gratuita, pois o beneficiário fica eternamente em dívida com o benfeitor, exaltando para todo sempre a sua magnanimidade. Ambos procuraram ostentar uma imagem de grandeza e opulência, de que é exemplo a construção do magnífico palácio-convento de Mafra e a extraordinária Marina do Lugar de Baixo. Resta-nos saber como vai acabar a história do rei Alberto João...
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