Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

VIVER DA ESMOLA NÃO É SOLUÇÃO



Não posso consentir que no meu país e na minha região se viva das esmolas. Não posso admitir que ao abrigo da crise se desresponsabilize o Estado e se invista na caridade. Não posso aceitar que para os problemas a solução seja o voluntariado e o assistencialismo.

Tenho todo o respeito e admiração pelas pessoas e instituições de caridade e de assistência social. Desempenham uma tarefa nobre e altruísta.  Mas a caridade não pode substituir os direitos sociais, num Estado em modo de desmantelamento. O Estado tem a função social de criar condições para que as pessoas tenham uma vida condigna, nomeadamente que tenham trabalho. O desemprego não é uma inevitabilidade. A pobreza não é um mal necessário. Empobrecerem-nos com o argumento de que só assim sairemos da crise, é querer criar um modelo económico sem objectivos de desenvolvimento social.

É maquiavélico este plano de aumentar a pobreza e investir na caridade.Tempos difíceis estes que vivemos. Na Região já vamos com 19 000 desempregados e uma população que agora nem com bombeiros parece poder contar. Cobram-se dívidas e penhoram-se carros. Novidades que deixaram-no de ser numa Região onde se fala em não pagar salários à Função Pública; onde fecham dezenas de empresas mensalmente; onde as farmácias não comparticipam medicamentos; onde os utentes do Serviço Regional de Saúde não têm reembolsos de consultas e tratamentos; onde encontramos famílias desesperadas, atiradas para uma pobreza com que nunca sonharam; onde idosos não têm dinheiro para a farmácia; onde jovens não têm um horizonte de futuro; onde crianças passam fome; onde professores não têm escola;  onde os assaltos são continuados e os suicídios cada vez mais frequentes.
 
Uma Região onde encontramos cada vez mais gente  excluída de prestações como o abono de família, o apoio social escolar, o complemento social do idoso, o subsídio social de desemprego, o rendimento social de inserção, e que se prepara para ter taxas moderadoras, um aumento brutal dos combustíveis e nos transportes, bem como um corte de rendimentos devido ao aumento do IRS. Além do insuportável aumento do IVA, que elevará o custo de vida dos madeirenses para uma situação nunca vista, nem imaginada.

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